quarta-feira, 12 de maio de 2010
Será esse o “Jeito Certo de Trabalhar”?
quarta-feira, 5 de maio de 2010
POR FALAR EM QUESTÕES, ACHO ÓTIMO VOLTAR AO PASSADO. TAMBÉM ADORO LER JORNAIS VELHOS E REVER AS VELHAS NOTÍCIAS. – EM QUE MUNDO ESTAMOS?
Publicação de sábado e domingo, 16 e 17 de maio de 2009O NORTE DE MINAS - O jornal que escreve o que você gostaria de dizer
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16/05/2009 - 10h00m
· Embora tenha assumido o cargo por apenas três meses, o presidente da câmara municipal de Francisco Sá, Mariojá Ferreira, deixou dívidas na prefeitura dignas de um prefeito de verdade.
Aguarde.
REIVINDICAÇÕES
· Enquanto isso, o vereador Tássio Emídio envia um reivindicativo e-mail a este namorado de Laura e filho de dona Laura:
Amigo,
Por favor, coloque em nosso jornal os requerimentos do seu vereador aqui em Francisco Sá:
- Requerimento solicitando reforma na Avenida JK, esta que é uma avenida das mais extensas da cidade; além de ser totalmente comercial, está acabada. Asfalto todo esburacado e cheia de poeira, ainda sem calçada para pedestres.
- Requerimento pedindo ajuda financeira ao prefeito para os dois ônibus universitários da cidade (duas associações universitárias). Coitados, além do desemprego, têm que pagar 120 reais/mês para ir e vir todos os dias para Montes Claros.
- Iluminação das margens da BR 251 - acesso Bairro Juquinha Dias. Tem os postes, mas o prefeito não colocou luminárias.
Abraços,
Tássio.
Fonte: http://www.onorte.net/colunas.php?id=5861
terça-feira, 4 de maio de 2010
Uma Crônica
Eu sei que a gente se acostuma, mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e a dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.
E aceitando as negociações de paz, aceita ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e a ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber. Vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado.
A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesmo.
Marina Colasanti

